Em sua origem e manifestações, a violência é um fenômeno sociohistórico e acompanha toda a experiência da humanidade. Portanto, ela não é, em si, uma questão de saúde pública. Transforma-se em problema para a área, porém, porque afeta a saúde individual e coletiva e exige, para sua prevenção e tratamento, formulação de políticas específicas e organização de práticas e de serviços peculiares ao setor. (BRASIL, 2005, p.10)
Como lembra um dos importantes documentos da Organização Pan-Americana da Saúde: A violência, pelo número de vítimas e pela magnitude de sequelas orgânicas e emocionais que produz, adquiriu um caráter endêmico e se converteu num problema de saúde pública em muitos países (...). O setor Saúde constitui a encruzilhada para onde convergem todos os corolários da violência, pela pressão que exercem suas vítimas sobre os serviços de urgência, atenção especializada, reabilitação física, psicológica e assistência social. (ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DA SAÚDE, 1994, p. 5)
Os danos, as lesões, os traumas e as mortes causados por acidentes e violências correspondem a altos custos emocionais e sociais e com aparatos de segurança pública. Causam prejuízos econômicos por causa dos dias de ausência do trabalho, pelos danos mentais e emocionais incalculáveis que provocam nas vítimas e em suas famílias e pelos anos de produtividade ou de vida perdidos. Ao sistema de saúde, as conseqüências da violência, dentre outros aspectos, se evidenciam no aumento de gastos com emergência, assistência e reabilitação, muito mais custosos que a maioria dos procedimentos médicos convencionais. Cálculos estimam que cerca de 3,3% do PIB brasileiro são gastos com os custos diretos da violência, cifra que sobe para 10,5% quando se incluem custos indiretos e transferências de recursos.(BRICEÑO-LEÓN, 2002)
No entanto, a violência também dá lucro. Primeiramente, parte das mortes e lesões que hoje ocorrem no mundo por essa causa se devem a ações criminosas como tráfico ilegal de armas, de drogas e de outras mercadorias, organizadas internacionalmente e lucrativas, para as quais, os aparatos violentos garantem e agregam valor.
Atualmente, além de representantes de muitos segmentos da sociedade participarem, de alguma forma, da criminalidade globalizada, floresce aqui no Brasil uma poderosa forma de comercialização dos sentimentos de insegurança da população: construção de condomínios com inúmeros dispositivos técnicos que encarecem seus custos e os tornam segregados; blindagem de carros; serviços de segurança patrimonial e pessoal; produção de grades e de armas, dentre outros. Essas mudanças privilegiam apenas os mais ricos que se isolam em paraísos fictícios, como se fosse possível não se expor à realidade conflituosa das grandes metrópoles e acirram a questão social, sobretudo, do desemprego, da persistência das desigualdades e dos anseios frustrados da juventude que demanda oportunidades de vida e de consumo. (BRASIL, 2005, p.11)
Embora as causas complexas da violência precisem ser analisadas em seus componentes sociohistóricos, econômicos, culturais e subjetivos, é preciso lembrar que suas conseqüências afetam a saúde individual e coletiva e os serviços do setor. As unidades de serviços, antes muito mais orientadas para as enfermidades de origem biomédica, são hoje chamadas para dar respostas às vítimas de lesões e traumas físicos e emocionais, devendo equipar-se para isso. (BRASIL, 2005, p.12)
Violências e acidentes, ao lado de enfermidades crônicas e degenerativas configuram, na atualidade, um novo perfil no quadro dos problemas de saúde do País, em que se ressalta o peso do estilo de vida, das condições sociais e ambientais e da maior longevidade. (BRASIL, 2005, p.14)
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Impacto da violência na saúde dos brasileiros / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. – Brasília, 2005. Disponível em <http://www.prosaude.org/publicacoes/diversos/impacto_violencia.pdf> Acesso em 7 de outubro de 2013 às 20h e 30min.
Figura 1:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjDb15f6waoOzk6llDSl9QSXT_yC2ALwIewj9naIZcT5fsyGaKZunqFuYsRy5Mf7kTDHJxiqCJ9VYQ6sQqBKplYBq1Vgn6a-GoHFDmI3Hev5LTkYDxIj8pwOjFn7LHt4W1AMq8MFyeRdKg/ s320/violencia3.jpg
Figura 2:http://aaapucrio.com.br/wp-content/uploads/Palestra-Viol%C3%AAncia-Urbana-e-Sa%C3%BAde.jpg
Figura 3: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgLT7N9jJYyA5f7oIrrP1ABU_nmLiVyWEBd5BwOkTZHhjGL3lb92WzvdvuUHyDvj5dL-abyMxp-_8vbVe5VxudRVD1QBgyV0HmP2SCWwa1cLluqebj4i7x9XDGlGjpcOIn-MLIR34TjxcWm/ s320/mulheres-violencia.jpg



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